terça-feira, 21 de outubro de 2014
substituindo livros
A nitidez dos objetos que afeta os sentidos em dias ensolarados do início da primavera foi forte o suficiente para me levantar o corpo de uma cadeira preguiçosa, e levá-lo até uma biblioteca particular secundária onde uma parte de mim guarda livros não lidos a serem lidos com maior brevidade do que os outros e, por surpresa nem tão surpreendente, lá encontrei apenas livros de metafísica. Como David Hume faria, resolvi retirá-los dali, mas não a ponto de queimá-los. Seguindo a sequência que eu mesmo me impus há quase trinta anos, de ir da matéria desconhecida ao espírito desconhecido, indo e vindo, resolvi retornar à matéria ainda desconhecida partindo da metafísica ainda desconhecida. Substituí os livros de metafísica daquela sub-biblioteca por livros de filosofia da mente e neurofisiologia, tendo em vista o horizonte farmacológico onde criei raízes científicas. Os livros de metafísica retornaram à biblioteca matriz, diluídos entre os livros de poesia, teologia e misticismo.
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